segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

América, Churchill e a "corrente de ouro"

JOÃO CARLOS ESPADA    23.01.17   OBSERVADOR


Se a democracia americana tem sido capaz de assimilar tantas mudanças inesperadas, isso deve-se a um quadro de tradições estáveis — a Churchilliana “corrente de ouro” — que permite mudar sem destruir.

Já tudo terá sido dito sobre a semana política que (felizmente já) passou. De certa forma, ela exprimiu alguns dos mais entediantes traços das modas culturais que nos rodeiam: o culto das celebridades e da vulgaridade daquilo que dizem energicamente; o culto da mudança radical e da inovação, da celebração do futuro em ruptura com o que alcançámos no passado; o culto do entusiasmo e da exaltação, por contraste com a serenidade, a cortesia e as boas maneiras.
Isto, creio, é o que pode ser dito educadamente sobre o discurso de tomada de posse do Presidente Donald Trump. E é também o que pode ser dito educadamente sobre os discursos das celebridades (e das massas) que desfilaram contra ele em Washington (e não só) no sábado a seguir à tomada de posse. Seria uma triste sina ter de escolher entre um estilo e o outro — ambos por sinal bastante semelhantes, ainda que opostos.
Mas não houve só isso, em Washington, na semana passada. Houve também — e creio que acima de tudo — a solenidade ancestral da transferência de poderes, pacífica e cortês, numa das mais antigas democracias do mundo. O Presidente Trump jurou sobre a Bíblia fidelidade à Constituição americana — tal como fizeram os seus predecessores desde George Washington. E, no almoço que se seguiu à cerimónia, revelou ser capaz de estimável contenção e “fair play”: simplesmente destacou e agradeceu a presença do casal Clinton.
São estas antigas regras da democracia que permitiram a eleição do Presidente Trump — que, recorde-se, foi eleito como candidato republicano sem na verdade ter anteriormente pertencido ao partido republicano e sem nunca ter desempenhado qualquer cargo político. Foram essas mesmas antigas regras que permitiram há oito anos a eleição do primeiro presidente negro americano — menos de duas gerações depois da batalha pela plena universalidade dos direitos civis na América.
Por outras palavras, se a democracia americana tem sido capaz de assimilar tantas mudanças inesperadas, isso deve-se a que a mudança ocorre num quadro de tradições estáveis. Por outras palavras ainda, grandes mudanças são possíveis na América porque elas não precisam de recorrer à Revolução — ou àquilo que no continente europeu se designa excentricamente por “mudança de regime”.
Esta é a benção que distingue as democracias mais antigas. Esta é a benção que devemos destacar nos tempos conturbados que enfrentamos. E é em torno dela que devem reunir-se as vozes diferentes, tantas vezes rivais, que em comum partilham a defesa da tradição ocidental da liberdade sob a lei.
Foi neste sentido um sinal positivo que o Presidente Trump, poucas horas depois de tomar posse, tivesse voltado a colocar o busto de Winston Churchill na sala oval. Churchill, cuja mãe era americana, tinha alergia a revoluções e acreditava que a ausência delas era um dos principais distintivos dos povos de língua inglesa. Disse ele sobre a filosofia política de seu pai, Lord Randolph Churchill:
“Ele [Lord Randolph Churchill] não via razão para que as velhas glórias da Igreja e do Estado, do rei e do país, não pudessem ser conciliadas com a democracia moderna; ou por que razão as massas do povo trabalhador não pudessem tornar-se os maiores defensores destas antigas instituições através das quais tinham adquirido as suas liberdades e o seu progresso. É esta união do passado e do presente, da tradição e do progresso, esta corrente de ouro [golden chain], nunca até agora quebrada, porque nenhuma pressão indevida foi exercida sobre ela, que tem constituído o mérito peculiar e a qualidade soberana da vida nacional inglesa.”
Numa época em que as modas celebram a inovação e a ruptura, talvez não fosse pior voltar a cultivar as estáveis tradições — a Churchilliana “corrente de ouro” — que permitem mudar sem destruir.

Democratas anti-democratas

ALEXANDRE HOMEM CRISTO   OBSERVADOR   23.01.17
O ódio a Trump é novo terreno fértil para plantar velhas ideias anti-democráticas. Sim, já muita gente leva a sério os perigos de Trump. Mas ainda pouca gente acordou para os perigos dos seus inimigos.

Começou com a incapacidade de Hillary Clinton em felicitar Donald Trump na noite eleitoral. Prosseguiu com a disseminação (da mentira) de que quem votou em Donald Trump foi a América redneck, desdentada e pouco qualificada. Alastrou-se através da concepção de uma sociedade dividida entre aqueles que votam “bem” e aqueles que votam “mal” – como se a escolha de um representante político não fosse um acto de cidadania livre. Evoluiu com o responsabilizar da Rússia de Putin pela intromissão na campanha eleitoral, conduzindo Trump à vitória. Agravou-se com tomadas de posição de políticos que, desgostando de Trump, contestaram a sua legitimidade – como fez o congressista John Lewis, uma figura histórica da democracia americana e da luta pelos direitos civis. E, por fim, culminou em protestos organizados (e por vezes violentos), onde activistas refutaram o poder legítimo de Trump, contrastando-o com “a verdadeira maioria” que veio à rua. É aqui que estamos: há meio mundo disposto a aceitar quase tudo para tirar Donald Trump da cadeira para a qual foi eleito.
É Trump um factor de instabilidade para a democracia americana e a ordem mundial? Sem dúvida. Mas, do outro lado, o que se ergueu não é menos perigoso. Ostracizar parte da população, empolar manipulações, rejeitar a legitimidade política de quem foi eleito, liderar massas em protesto contra resultados eleitorais. Isto não é uma mera demonstração de mau perder. É, sim, uma contestação às regras, instituições e convenções que definem as repúblicas liberais em que vivemos. E é, em bom rigor, anti-democrático. Toda esta gritaria, alegadamente em nome dos valores democráticos, tem feito pior à democracia do que o próprio Trump.
Vamos ao básico – sustendo a inquietação que suscita termos de dar esse passo atrás. Ao contrário das tiranias, as nossas repúblicas não se definem pelas pessoas que as governam, mas pela aceitação (por parte de todos) das regras de acesso e fiscalização do poder político. Dito de outro modo, a solidez de uma democracia não se avalia só pela forma como se ganha, mede-se sobretudo pela forma graciosa como se perde. Foi esse o alerta que lancei logo na noite das eleições americanas: por mais que não se goste de Trump (e há muito para não gostar), importa reconhecer a sua legitimidade para liderar os EUA. Porque, no acto da concessão de derrota por parte dos adversários, não estão em causa Trump ou Clinton, mas as regras que enquadram o regime – o processo eleitoral, a soberania popular, os freios e contrapesos institucionais. Sim, nessa noite eleitoral, Hillary Clinton não esteve à altura das circunstâncias – como, antes dela, estiveram John McCain ou Al Gore. Mas, pior, é constatar, passados dois meses, que tantos, para contestar Trump, estão disponíveis para questionar o regime que lhes garante as suas liberdades. A maior ameaça à democracia está aí, não em Trump.
Já se sabe que, da direita nacionalista à esquerda revolucionária, encontram-se muitos fãs de Donald Trump. Porque partilham alguns dos seus ideais políticos? Em parte, sim. Mas, no fundamental, para os populistas que celebram o novo presidente americano, o ponto nunca foi Donald Trump em si – as suas ideias, as suas políticas, as suas bandeiras. Interessa-lhes a contestação que ele gera. Encanta-os o enfraquecimento das instituições democráticas, disputadas nas ruas. Agrada-lhes o ambiente de crispação que legitima as críticas populistas e o diagnóstico de fracasso das democracias abertas e liberais. Importa-lhes o entrincheiramento do debate, que dobra as regras institucionais e quebra os consensos sociais estabelecidos. Para eles, quanto pior, melhor. E a campanha já está nas ruas. Numa ponta do mundo, Michael Moore encabeça protestos contra o Colégio Eleitoral e clama em glória que o “verdadeiro poder” está nas ruas. Na outra ponta, Boaventura de Sousa Santos (sempre ele), a propósito de Trump, explica que “a democracia que temos não tem futuro”. Nada de novo – já vimos este filme antes, contra George W. Bush. Hoje, o ódio a Donald Trump é o novo terreno fértil para plantar as velhas ideias anti-liberais, anti-democráticas e anti-capitalistas.
Preparemo-nos, pois, que os anos de Trump serão difíceis. Por causa do óbvio – o próprio Trump, cuja visão proteccionista (na economia), distanciamento para com a União Europeia e dúvidas quanto à relevância da NATO imporão consequências imprevisíveis à Europa (e Portugal). E por causa do menos óbvio – a quantidade de inimigos da liberdade que, apropriando-se dos protestos contra Trump, encontrarão novos militantes para as suas ideias revolucionárias. Já há, felizmente, muita gente a levar os perigos de Trump a sério. Mas ainda há, infelizmente, muito pouca gente acordada para os perigos dos seus inimigos.

Miguel Guimarães: Entrevista ao novo bastonário dos médicos

DIÁRIO DE NOTÍCIAS  17.01.17

O candidato a bastonário dos Médicos considera que o sistema está no limite, o que coloca problemas na qualidade e que a Ordem deve determinar os tempos mínimos aceitáveis na relação médico -doente. O DN publica amanhã a entrevista ao atual bastonário.

Qual o estado da Saúde e do SNS?
Diria que é crítico. O serviço público está num plano inclinado, que se tem vindo a agravar nos últimos anos em resultado de uma grave desorçamentação. Todo o sistema está no limite e isso coloca problemas na qualidade da assistência aos doentes e na qualidade da formação dos médicos. Faz parte da minha carta de compromissos fazer o "Relatório Branco" da Saúde, em que serão descriminadas todas as insuficiências e deficiências existentes, seja a nível do capital humano, seja a nível dos recursos estruturais e técnicos, incluindo equipamentos, dispositivos e materiais. A correção das deficiências encontradas permitirá melhorar o acesso e a qualidade dos cuidados de saúde e da formação médica.

Que papel deve ter a Ordem?
A Ordem deve contribuir para o respeito e valorização que são devidos aos médicos e ser a garantia de um escrupuloso respeito pelos princípios éticos e deontológicos da profissão e pela qualidade da formação pós-graduada.

Como garantir a sustentabilidade do SNS?
Por um lado, é imprescindível mais investimento público. Com o atual orçamento não é possível solucionar as situações mais críticas, como encetar a reforma necessária no serviço de urgência ou dotar o SNS do capital humano essencial ao seu bom funcionamento. Por outro, uma gestão mais rigorosa dos recursos disponíveis. Do ponto de vista da governação clínica, o SNS deve privilegiar a qualidade como o critério essencial para baixar a despesa de forma estruturada e consistente. Finalmente, é essencial centrar a saúde nas pessoas e nos doentes e apostar fortemente, e desde já, na promoção da saúde e do envelhecimento ativo e prevenção da doença. E em verdadeiros programas de literacia em saúde, que permitirão, por um lado, reduzir a carga de doença crónica e melhorar a qualidade de vida a médio prazo. Por outro, melhorar a organização e planeamento dos serviços de saúde.

Deve limitar-se o numerus clausus no acesso às faculdades?
Defendo uma diminuição significativa do numerus clausus, primeiro porque as escolas médicas já ultrapassaram o seu limite e, depois, porque o sistema não tem capacidade para formar tantos médicos especialistas com a qualidade exigida.

A formação está comprometida?
Na formação pré-graduada a situação é mais grave no chamado ciclo clínico dos cursos de medicina, porque existem estudantes em excesso. Na formação pós-graduada, ou seja, no internato da especialidade, o sistema - como referi - não consegue absorver todos os candidatos, apesar do esforço que a Ordem tem feito para maximizar as capacidades formativas sem prejuízo da qualidade da formação. Portanto, sim, o acesso à formação especializada está numa situação comprometedora.

Está a perder-se a humanização na relação médico-doente?
Sem dúvida e esse é o primeiro eixo programático da minha candidatura. A medicina está cada vez mais burocratizada e isso está a afetar seriamente a relação com o doente. É necessário repensar a situação e a Ordem deve, através dos seus colégios de especialidade, determinar os tempos mínimos aceitáveis para a relação médico-doente. De resto, é essencial diminuir de forma significativa as tarefas burocráticas e a atual ditadura informática.

Como captar médicos para o SNS e para as zonas mais carenciadas?
Com discriminação positiva e incentivos que não se esgotam no salário. Por exemplo, através de benefícios fiscais ou atribuição de períodos de férias mais alargados. A oferta de um projeto clínico aliciante e fortes incentivos na formação e condições de trabalho são outros fatores a considerar. Mas isso implica que os serviços de alguns hospitais sejam reforçados. A criação de condições para a existência de formação especializada e a prioridade na contratação dos jovens especialistas pode também ser uma forma de fixar médicos nas zonas cadenciadas.

Deve voltar a exclusividade?
Deve haver possibilidade de os médicos optarem por estarem ou não estarem em regime de dedicação exclusiva, associada à respetiva compensação salarial. Essa possibilidade de opção deixou de existir, mas a minha opinião é que devia ser reconsiderada.

Qual a posição sobre a eutanásia?
O meu compromisso é com a defesa da ética e do código Deontológico, que expressamente condena a eutanásia e a distanásia. Compreendo a discussão, mas penso que nas questões relativas ao fim de vida há outras opções já validadas e enquadradas legalmente, que não têm sido devidamente discutidas e aplicadas. Refiro-me aos cuidados paliativos e ao testamento vital.

E sobre a ADSE?
O fim da ADSE não se coloca, uma vez que o sistema, neste momento, é autossustentável. No meu programa defendo a possibilidade do alargamento da ADSE a todos os médicos e familiares diretos, independentemente do seu local de trabalho ou tipo de contrato.

Frase do dia

POVO   23.01.17


"Nascer pequeno, e morrer grande, é chegar a ser homem. Por isso nos deu Deus tão pouca terra para o nascimento, e tantas terras para a sepultura. Para nascer, pouca terra: para morrer, toda a terra: para nascer, Portugal: para morrer, o mundo.”

Padre António Vieira


Ontem celebrou-se a Solenidade de S. Vicente, missionário e padroeiro de Lisboa. A importância de S. Vicente para a Igreja de Lisboa e de Portugal é bem patente no texto do 'antigo' 1º ciclo A Barca Bela, que uma amiga partilhou ontem e que me recordou esta imagem do Baptistério da Catedral de Florença, que me foi uma vez explicada como uma bela imagem do que é trabalho: nós no barco com Jesus.

Nesta 2ª feira, possamos começar a semana como missionários, cada um nas suas tarefas, sabendo-O connosco a levar o barco. 

Boa semana a todos!

Navegação, Andrea Pisano


Andrea Pisano
'Navegação' 
na porta do batistério do Duomo de Florença

domingo, 22 de janeiro de 2017

A barca bela

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Frase do dia

"Viver é como andar de bicicleta, é preciso estar em constante movimento para manter o equilíbrio."

Albert Einstein

Silêncio: não há fé sem dúvida

                             Pe. MIGUEL ALMEIDA, sj    OBSERVADOR    19.01.17
A vida é complexa. Recusando uma visão exclusivamente triunfalista do martírio ou miserabilista da fé, Silêncio convida-nos a acolher a vida na sua complexidade, sem juízos superficiais ou simplistas.

No tão badalado Silêncio de Martin Scorsese, adaptação do livro de Shusako Endo com o mesmo título, há um percurso que, rapidamente se percebe muito mais longo, profundo e denso do que a distância que separa geograficamente Portugal do Japão. Mal podiam saber os padres Rodrigues e Garupe que, depois da longa travessia que os conduziu ao País do Sol Nascente, a grande distância ainda estivesse por percorrer. A viagem ainda estava no início. De facto, há um itinerário que é o mais difícil de percorrer: o itinerário interior de cada um.
Os dois jesuítas rumam ao Japão em busca do seu mestre, P. Ferreira que, dizia-se em Portugal, teria cometido o maior dos pecados: a apostasia. Não era possível. O padre Ferreira jamais poderia ter renegado a sua fé em público. A densidade do filme vai confirmá-los nessa triste notícia. Mas não sem batalhas interiores.
A apostasia é má. Por todos os motivos e mais algum. Antes de mais, é uma falta a um compromisso. Humanamente falando, é sempre reprovável que não honremos os nossos compromissos. É uma infidelidade. Depois, é uma cobardia. Diante do medo do sofrimento, renegamos aquilo em que acreditamos. E se “aquilo” em que acreditamos é um “Aquele” em quem cremos, então essa negação ganha os contornos da traição de Judas. O apóstata é um traidor. Mesmo um bom cristão pode, e deve, perdoar o pecado da apostasia. Mas nunca afirmar que a apostasia é um mal menor. Não por acaso, nos primeiros séculos da Igreja, este era um pecado considerado pelo menos ao nível do homicídio. Quando, ainda por cima, a apostasia é cometida por um padre com a missão de evangelizar, esse pecado é grave como poucos, devido ao efeito que produz na comunidade cristã a quem foi enviado. Descredibiliza não só o próprio, mas a mensagem mesma do Evangelho fica afinal reduzida a pó.
No extremo oposto está o mártir. O mártir é aquele que, diante de qualquer ameaça, dor, sofrimento, tortura ou morte, jamais renega a sua fé. O cristianismo tem uma história rica de martírios. Tertuliano (séc. II) afirma mesmo que o sangue dos mártires é semente de novos cristãos. Chegar a ser mártir cristão é testemunhar a fé em Jesus Cristo numa fidelidade inabalável que nem a morte desvanece. Muitas são as histórias, mesmo aquelas às quais a tradição e a imaginação humana foram acrescentando feitos maravilhosos e atos heroicos de uma coragem hercúlea, de mártires que enfrentavam os seus algozes diante das atrocidades mais horrorosas.
Silêncio de Scorsese, tem o mérito de nos transportar por dentro ao lugar onde o martírio e a apostasia se cruzam e se abraçam. E desmonta a nossa imagem bonita do mártir e horrenda do apóstata, revelando como tal perspectiva é demasiado simplista.
Pedro, o chefe dos apóstolos e primeiro Papa da Igreja, deu a vida por Cristo. Mas também o negou. Os apóstolos, todos eles abandonaram o Mestre no momento crucial. É essencial que os evangelhos não tenham tentado esconder este aspeto. A Igreja é uma igreja de mártires e de pecadores. Scorsese desnuda esta tensão, desmontando uma visão triunfalista do cristianismo e fazendo-nos mergulhar na realidade dura e crua. O P. Rodrigues, personagem principal, sente-se perdido diante do silêncio de Deus.
Quem já fez os Exercícios Espirituais de Sto. Inácio de Loyola, sabe que o filme capta muito bem o modo de rezar e de se relacionar com Jesus Cristo que os Exercícios propõem. O diálogo interior, o uso da imaginação para contemplar e entrar nas cenas evangélicas, o refletir e questionar do texto, a luta espiritual, a busca da vontade de Deus, tudo é acenado neste filme.
Mas não se pense que a grande questão é simplesmente a de afirmar ou renegar a fé. Rodrigues, apesar do pavor de sofrer como todos nós, não questiona apostatar para se salvar. O panorama adensa-se com uma afirmação bem posta na boca do governador-inquisidor Inoue: “a tua glória é o sofrimento deles”. Este é o ponto crucial. A complexidade da vida, da fé, da honestidade e da integridade de um jesuíta que quer, acima de tudo, seguir Jesus Cristo vê-se armadilhada. Tenho o direito de recusar pisar o fumie com a imagem de Jesus, sabendo que a vida dos meus irmãos, que sofrem os tormentos da tortura, depende deste gesto? Mais, o que realmente me move? Não terá o inquisidor razão quando me acusa de, no fundo, eu não querer abdicar de uma glória própria? Não seria tentação maior a da presunção de me comparar com próprio Jesus?
Lutando com o silêncio de Deus diante deste dilema que o dilacera, parece finalmente sentir, em batalha de oração interior, que Jesus lhe diz: “pisa-me!”. Pisa-me nesta placa para não me pisares nos teus irmãos. É toda uma perspectiva de vida e de fé que acaba de ruir. Afinal quem és Tu, Senhor? Aquele que diz que “quem perseverar até ao fim será salvo” (Mt 14,23) ou O que diz: “o que fizeste a um dos meus irmãos a mim o fizeste” (Mt 25, 40)? Ao pisar o fumie, Rodrigues torna-se apóstata. Ao apostatar, renuncia também a ser mártir, reconhecido aquém e além mar como o herói que resistiu até ao último suplício. Mas nesse gesto, tão simples como dar um passo, e tão decisivo como a vida e a morte, salva os seus irmãos de serem cruelmente torturados até à morte.
E no entanto, quando o P. Sebastião Rodrigues pisa o fumie, o galo canta. Mas nunca saberemos se o galo ficaria calado se o jesuíta optasse por não mover o pé, provocando assim a tortura e a morte dos seus irmãos.
É verdade que espreita aqui subtilmente uma vitória da elite cultural do Japão de então, como das elites intelectuais pseudoneutras de hoje. Ao sublinhar a complexidade da situação e ao mostrar como, no funeral, feito com todas as honras budistas, Sebastião Rodrigues morre com um pequeno crucifixo escondido na mão (cena ausente no livro de Shusako Endo), o filme empurra a fé para o foro privado da vida. Afinal, aquele que apostatara, mantivera-se privada e interiormente cristão até ao fim.
De facto, para um certo mundo laico e laicizante, o lugar da fé é no íntimo de cada um. E não deve haver qualquer expressão visível de símbolos religiosos na sociedade em que vivemos. Ao longo do filme, muitas vezes se ouve das autoridades japonesas que pisar o fumie é apenas uma simples formalidade e que, ao fazê-lo, os cristãos salvarão as suas vidas. Mas, tanto os que eram forçados como os que forçavam a pisá-lo bem sabiam que não se tratava de uma mera formalidade. Ninguém mata ou dá a vida por uma formalidade.
Tudo seria mais fácil se fosse mais simples. Mas não é. A vida é complexa. Recusando uma visão exclusivamente triunfalista do martírio ou miserabilista da fé, o Silêncio convida-nos a acolher a vida na sua complexidade, sem juízos superficiais ou simplistas. Sabemos que “agora, vemos como num espelho, de maneira confusa; depois veremos face a face. Agora, conheço de modo imperfeito; depois, conhecerei como sou conhecido. Agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e o amor; mas a maior de todas é o amor” (1Cor 13, 12-13).

Um órgão para a Igreja de S. Isidoro, Mafra

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Zineb, dois anos depois do Charlie Hebdo

CÉSAR AVÔ           OBSERVADOR        16.01.17
Escapou ao atentado contra o Charlie Hebdo e é das mulheres mais protegidas de França. Zineb El Rhazoui falou ao Observador da sua luta contra o que chama de "fascismo islâmico".
Para os crentes, foi graças a Deus que a jornalista franco-marroquina Zineb El Rhazoui se salvou da matança de uma dúzia de companheiros e polícias no dia 7 de Janeiro de 2015 nas instalações do semanário satírico Charlie Hebdo. Para Zineb, uma ateia, foi simplesmente pelo facto de estar em Marrocos, de férias. Militante dos direitos humanos, dos direitos da mulher e defensora da laicidade, esta jornalista de 35 anos saiu entretanto do semanário, e, com uma renovada força, escreveu o livro Détruire le Fascisme Islamique (Destruir o Fascismo Islâmico). Um texto tão curto (70 páginas de uma edição de bolso) quanto frontal, no qual desmonta os argumentos de quem, perante a mínima crítica em relação ao islão, grita ‘islamofobia’ ou ‘racismo’.
Zineb não consegue ser discreta. Desde jovem que corre riscos, seja a fazer oposição ao regime marroquino, seja na forma como se veste (renegando o véu, por exemplo). Até a comer uma sanduíche se revela de enorme coragem. No verão de 2009, o grupo Mouvement Alternatif pour les Libertés Individuelles, fundado por Zineb El Rhazoui e por uma amiga, agitou Marrocos. Marcaram um piquenique em pleno dia durante o Ramadão. O objetivo era protestar contra um artigo do código civil que proibia os marroquinos de quebrarem o jejum em público. O atrevimento não chegou ao fim, porque a polícia interveio, mas Zineb não se livrou de problemas com a justiça nem com os fundamentalistas: recebeu a primeira condenação, de muitas, sob a forma de uma fatwa.
Hoje, a viver em França, continua com a cabeça a prémio.
Foi ameaçada de morte. Continua a ser protegida pela polícia?Sim, dizem que sou a mulher com mais proteção em França. Tenho várias fatwas a condenarem-me à morte, é uma espécie de palavra-passe que permanece com a pessoa. E é a prova que estamos face ao fascismo, face a um totalitarismo. E nunca aceitarei ceder para respeitar qualquer coisa sagrada que é defendida por kalashnikovs. Diria que o nosso dever enquanto espíritos livres é bater-nos contra os ditadores.
“(Os islamistas) gritam em coro ‘isto não é o Islão’ de cada vez que há um atentado terrorista islâmico, mas ao mesmo tempo tentam impedir a sociedade de combater as manifestações da mesma ideologia criminosa que eles repudiaram hipocritamente (…) os terroristas não representam o Islão mas quem denuncia a sua ideologia é acusado de atingir a totalidade dos muçulmanos.”
pág. 15
Não deve ser fácil viver assim.Não é nada fácil. Quer dizer que vivo sempre a minha vida, pública ou privada, com outras pessoas, com agentes que me acompanham. Não me vou queixar da proteção que recebo. Considero que pertenço a um país que protege os seus cidadãos. Tenho o dever de continuar a falar porque penso em todos os jornalistas, escritores, intelectuais e cartoonistas que têm a mesma mensagem que eu, mas que vivem em países nos quais os Estados podem ser um pesadelo para eles. Ou penso em jornalistas que trabalham em ambientes muito complicados, como por exemplo no México, onde há uma elevada taxa de assassínios. Ninguém os protege, mas continuam a arriscar a vida enquanto cumprem o seu dever enquanto jornalistas. Por isso, tendo eu esta proteção do Estado, não tenho o direito de calar a minha boca. Tenho de continuar a falar e compreender que esta proteção não é para mim, mas para a minha liberdade de expressão e para as ideias pelas quais luto.
“Numa insuportável complacência, os media ocidentais defenderam o burkini como uma ‘liberdade’ e uma expressão cultural legítima de uma parte da humanidade. Saberão ao menos que nas praias dos países muçulmanos nunca houve burkini? (…) Quem fala do pesadelo que vive uma temerária que decida deambular nas ruas de Argel, Casablanca ou Cairo de saia?”
págs. 65-66
Há dois anos deu-se o massacre no Charlie Hebdo. Crê que os franceses, bem como os europeus, estão mais conscientes do perigo a que chama fascismo islâmico?Tenho a certeza de que o povo está mais consciente. As pessoas nas ruas, as pessoas com quem eu falo, sim, mas os políticos nem tanto. Parecem estar conscientes, ao repetirem que ‘agora estamos numa guerra contra o terrorismo’, etc. Mas não estão a tomar as medidas corretas. Certo, estamos numa situação em que é muito importante tomar medidas de segurança e de recolha de informações. Mas não chega. Não se luta contra o fascismo se não o encararmos como tal. Não se consegue eliminar o terrorismo com o código penal comum. No fim da Segunda Guerra, quando se quis erradicar o nazismo, não se quis apenas condenar os nazis que sujaram as mãos. O nazismo não foi tratado como um crime ordinário, mas como uma ideologia, e a Europa proibiu os nazis de darem preleções e também as manifestações pacíficas pela ideologia nazi. Para nos desembaraçarmos do fascismo temos de nomeá-lo e temos de combatê-lo ao nível ideológico e não tanto ao nível militar.
“Os crimes mais abjetos do Estado Islâmico não são mais do que um remake no século XXI do que fizeram os muçulmanos dos primeiros tempos, sob a direção do profeta.” 
pág. 24
Como é que se pode destruir o que apelida de fascismo islâmico?A primeira coisa, logo à partida, é chamar o fascismo pelo seu nome: defini-lo como um fascismo ideológico e não enquanto cultura, ou raça ou identidade étnica. É importante qualificar o fascismo islâmico como todos os outros fascismos que a Europa conheceu e de dizer que possui exatamente as mesmas características dos outros fascismos. Trata-se de um totalitarismo e, como tal, temos de nos libertar dele. Na Europa, há quem esconda os verdadeiros problemas. Começam a dizer, por exemplo, que o terrorismo é um problema social, causado pela pobreza, pelo colonialismo, por problemas psiquiátricos. Tudo isso é falso. A única maneira de fazer a desradicalização é libertar a crítica sobre o Islão. É dizer que não há motivo algum para excluir o Islão do universalismo republicano, do universalismo do pensamento. Voltaire, as Luzes, o cartesianismo, a lógica, a razão, não são exclusivos do Ocidente, são do planeta inteiro, são valores universais. Há que obrigar o Islão a respeitar as leis e os valores da razão, que são os valores da democracia ocidental.
“Negação do pluralismo social, sexismo repressivo contra as mulheres e os homossexuais, manutenção de milícias armadas, adoção de uma bandeira e de uma terminologia… o fascismo islâmico assemelha-se em tudo aos fascismos de extrema-direita tradicionais, mas vingou onde todos os outros falharam: alcançou uma respeitabilidade aos olhos dos inimigos, entre os quais a extrema-esquerda, os intelectuais, os anti-racistas, os políticos e até as feministas.”
pág. 46
Como é que as propostas do seu livro estão a ser recebidas em França?Tenho recebido enorme apoio da parte de leitores e de cidadãos que estão de acordo comigo. Evidentemente que há pessoas que não estão contentes sobre o que digo sobre o Islão. São os islamistas e as suas associações, bem como os pseudo-intelectuais, que são na realidade os pregadores do Islão, bem como os idiotas úteis da política, que preferem a demagogia e a hipocrisia intelectual para lisonjearem os islamistas e para poderem manter esta visão de uma sociedade comunitária para poderem ser eleitos pelos votantes islamistas.
“Uma parte da classe política, direita e esquerda por igual, prefere ver a sociedade em parcelas de mercado comunitárias, junto das quais será mais fácil concluir compromissos democráticos para depois comprar votos em segmentos inteiros. Quem melhor que o imã de uma mesquita para dar instruções de voto?”
pág. 47
Quando é que tomou consciência dos temas sobre os quais milita?Sou uma mulher marroquina, nasci e vivi num país que não respeita os direitos humanos nem os direitos da mulher, que está muito, muito longe de ser uma democracia, é uma ditadura. Há medo do ditador, há um medo religioso. Muito rapidamente compreendi a importância de me interessar por essas questões, que são sobre a nossa dignidade.
“O culto exacerbado da personalidade do profeta vai até à interdição de representá-lo, sob pena de morte. Aqueles que pensam que só um punhado de loucos é capaz de matar por um desenho de Maomé ignoram que, onde quer que o Islão reine como religião de Estado, a caricatura e o cartoon são reprimidos. O rei Hassan II (de Marrocos) (…) rapidamente interditou a caricatura (…) Justificou a decisão pelos mesmos argumentos de exegese que os assassinos de Charlie Hebdo: quem desenha desafia o poder criador de Alá. Hassan II morreu, mas continua a ser proibido fazer caricaturas de Mohamed VI, porque este será um descendente longínquo do profeta.”
págs. 43-44
Mas tinha que idade?Era adolescente. Mesmo antes, quando era criança, comecei a ter dúvidas sobre a existência de Deus. É uma caminhada que começa muito cedo e que é marcada por duvidar dos valores que nos transmitem. Porque é que as leis de Deus não são justas, porque é que as mulheres estão escondidas debaixo de um manto, prostradas, sem direitos, domésticas? Comecei a fazer as minhas leituras, as minhas pesquisas. E, como não posso livrar-me da ditadura de Deus, tentei livrar-me da ditadura dos ditadores, daquele que executa a ditadura de Deus na Terra. Ao mesmo tempo, não é possível desejar uma democracia e uma sociedade democrática sem nos libertarmos da ditadura religiosa. O totalitarismo político e o totalitarismo religioso estão a par, não nos podemos libertar de um sem nos libertarmos do outro.
“Basta olharmos para os países em que o Islão é aplicado, parcial ou totalmente, para nos darmos conta do pouco caso que os islamistas fazem dos princípios universais de que os próprios se aproveitam em democracia. Em nenhuma teocracia islâmica é concedida a liberdade de consciência e de culto aos seus cidadãos.” 
pág. 19
Tornou-se numa muçulmana ateia, o que não é muito comum.Na verdade, quem nasce em Marrocos é obrigatoriamente rotulado de muçulmano. Não existe escolha, não há leis seculares. As leis que regulam o casamento, o divórcio ou a herança são inspiradas no Islão. A educação religiosa é obrigatória na escola, desde o jardim infantil até ao fim da escola secundária. É uma lavagem ao cérebro. Mais tarde, quando evoluí para o livre arbítrio, passei a ser uma muçulmana ateia, uma ateia de cultura muçulmana. Também há em Marrocos quem seja ateu de cultura católica. Para mim é importante referir que a civilização islâmica também produz pessoas que são livres. O discurso que se ouve hoje na Europa é que não se pode criticar o Islão, porque é racismo. Para mim, a religião e a raça são coisas diferentes. No caso do Islão, a ideologia religiosa não se deve confundir com a identidade étnica ou racial dos povos. É completamente absurdo.
“O islamista trabalha para isolar a sua comunidade, para erguer um muro de vestuário, um muro cultural, linguístico, geográfico e jurídico entre os muçulmanos e os outros, mas é ele quem acusa o mundo inteiro de o odiar.” 
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Transladação dos restos mortais do Apóstolo de Fátima

Padre Manuel Nunes Formigão
Co-Fundador da Associação dos Servitas de Fátima
com o Bispo D. José Alves Correia da Silva, Bispo de Leiria

O padre Manuel Nunes Formigão nasceu em Tomar, a 1 de janeiro de 1883 e aos 12 anos entrou no Seminário Patriarcal em Santarém, onde realizou os estudos eclesiásticos, findos os quais, “tendo em conta a sua sagacidade intelectual e grande vida de piedade, foi enviado para Roma, onde obteve o grau académico de Doutor em Teologia e Direito Canónico pela Pontifícia Universidade Gregoriana”, refere uma nota biográfica enviada à Agência ECCLESIA.

A 13 setembro de 1917 foi pela primeira vez à Cova da Iria, como simples curioso e “profundamente cético relativamente aos factos que se diziam ali estarem a acontecer”. Não se aproximou do local das aparições e saiu de Fátima ainda “mais cético, pois não presenciou nada de invulgar, apenas notando a diminuição da luz solar por altura das supostas aparições, mas facto que não deu qualquer importância”.
No entanto voltou a Fátima, em concreto a Aljustrel, no dia 27 desse mesmo mês a fim de interrogar, em separado, os três videntes.

A este interrogatório sucederam-se outros nas semanas seguintes, nomeadamente o efetuado no dia 13 de outubro, horas depois da última aparição e depois de ter sido testemunha, juntamente com mais de 60.000 pessoas ao assombroso fenómeno solar, que o povo apelidou como “Milagre do Sol”.

O servo de Deus faleceu em Fátima, a 30 de Janeiro de 1958 e no ano 2000 a Conferência Episcopal Portuguesa concedeu a anuência para a introdução da causa de Beatificação e Canonização do Apóstolo de Fátima.


Fundação da Associação dos Servitas de Fátima

Carta de D. José Alves Correia da Silva, Bispo de Leiria para o Dr. Manuel Nunes Formigão:


 Leiria 2 de junho de 1924

Exmo. e Revmo. Senhor Padre Formigão

No próximo dia 12 irei, se Deus quizer, à Cova da Iria tratar das obras e ainda desejava reunir um grupo de pessoas dedicadas para a creação d`uma Associação similhante à dos Brancardieres ou Hospitaleiros de Lourdes.
Escolhi esse dia por me parecer ser mais conveniente a V.Exª., pois muito desejava vê-lo lá acompanhado das pessoas que entender bem.
Com toda a consideração me subscrevo.
De V.Excia.
Servo em JC
+ José, Bispo de Leiria


E assim, em 14 de Junho de 1924, depois da Missa celebrada na Capelinha pelo Padre Formigão, o Senhor Bispo D. José Alves Correia da Silva fundou a “Associação do Servos de Nossa Senhora do Rosário da Fátima.



28 DE JANEIRO
Transladação dos restos mortais do Padre Manuel Nunes Formigão

A cerimónia de trasladação dos restos mortais do Padre Manuel Nunes Formigão, do cemitério de Fátima para um mausoléu construído na Casa de Nossa Senhora das Dores, vai realizar-se a 28 de Janeiro.

A celebração de trasladação do «Apóstolo de Fátima», como é conhecido o servo de Deus, padre Manuel Nunes Formigão, começa às 10:00 com a concentração na Rua Francisco Marto, 203 e saída para o cemitério da Freguesia de Fátima.
Pelas 11:00 celebra-se a eucaristia na Basílica da Santíssima Trindade - Santuário de Fátima, seguindo-se cortejo para o Mausoléu - Casa Senhora das Dores.