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Porque razão arde Portugal?

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CLEMENTE PEDRO NUNES              19.08.2017

'A natureza está a reclamar o que é seu'

JOSÉ A. CARVALHO       FACEBOOK    17.10.2017
"Viajei, durante os últimos dias, para apreciar e fotografar as cores das árvores na Nova Inglaterra, nordeste dos EUA. Há anos que planeava e pensava nesta viagem. O esplendor das cores de Outono é o mais bonito e pacificador espetáculo natural que jamais pude ver. Foram as árvores que motivaram a minha viagem. No regresso… as árvores do meu país desapareceram! Aterrei ao fim da madrugada de domingo para segunda. Assim que li e ouvi as primeiras notícias senti que metade do país estava em guerra: sem comunicações, sem energia, sem ajuda. Nasci no distrito de Coimbra onde sempre viveu a minha família. Não consegui contactar os meus pais durante todo o dia; nem eles nem ninguém. Não sabia onde andava o fogo; nem qual o desespero das pessoas que conheço desde miúdo. Nas redes sociais muita gente partilhava a angústia do silêncio em busca de notícias. Ao fim da noite consegui finalmente ouvir os meus pais: deslocaram-se vário quilómetros …

Incêndios: a trágica novidade

JOSÉ MARIA DUQUE           17.10.2017
O problema dos incêndios em Portugal é antigo e "resiliente". Infelizmente parece não haver maneira de alterar o estado das coisas: basta um ano mais quente e a floresta já ter recuperado do último grande incêndio para termos o nosso país a arder de um ponta à outra.
Por isso o problema com os incêndios deste ano não são os incêndios em si. Infelizmente este governo é apenas mais um a juntar à lista de governos que até agora foram incapazes de arranjar uma forma eficiente de: 1. evitar os incêndios; 2., combatê-los de maneira eficaz (não posso porém deixar de reparar que o Pinhal de Leiria sobreviveu a quatro dinastias, a duas repúblicas, ás guerras fernandina, à revolução de 1483-85, aos descobrimentos, à dominação espanhola, ao terramoto, às invasões francesas, à guerra entre miguelistas e liberais, à revolução republicana, ao Estado Novo, ao PREC, a 40 anos de democracia, só não sobreviveu ao governo de António Costa).
Já tivemos em anos…

A história do verdadeiro patinho feio

BERNARDO DO VALLE DE CASTRO
Num belo e discreto junco, junto a um lindo lago onde não havia cisnes, mas povoado de rãs, libelinhas, peixes e salamandras coloridas, vivia um simpático casal de patos. Na Primavera, aquela mãe pata pôs os seus ovos e, de vez em quando, ausentava-se do ninho para procurar alimento com o seu bico achatado, entre as pedras lodosas do fundo do lago. Rapidamente, no entanto, lá vinha ela toda choca para o seu ninho. Passado o tempo que a natureza determinou adequado para que os ovos eclodissem, todos eclodiram menos um. A surpresa daquela mãe pata durou apenas mais um dia, até que do seu último ovo nasceu um patito em quase tudo igual aos outros, simplesmente em vez de todo amarelo, tinha laivos de castanho claro. A mãe gostava dele como gostava dos outros: educava-o para ser um bom patinho, para nadar na fila, como os seus irmãos, e para não se afastar demasiado. Para ele, no entanto, eram duras e custavam muito as coisas que os outros lhe faziam, porque o punh…

Carta de um pai a youtubers, tentanto não ser maçador

NUNO MARKL     FACEBOOK       31.08.2017
Em primeiro lugar, parabéns. Parabéns pelo vosso sucesso, pelo vosso empenho e dedicação, pela maneira como desbravaram fronteiras e abriram novos caminhos para aquilo a que, ainda há pouco tempo, se chamava só televisão. E sim, invejo-vos. Vocês têm uma ferramenta criativa extraordinária com a qual eu só podia sonhar, quando tinha a vossa idade. O meu YouTube chamava-se Sony-Camcorder-a-gravar-coisas-numa-cassete-que-depois-enviamos-para-pessoas-como-o-Herman-a-ver-se-ele-responde-alguma-coisa. Tive, de facto, a sorte de acabar a escrever para o Herman em programas como Herman Enciclopédia, mas ele nunca chegou a ver as cassetes que, anos antes, lhe tinha enviado. Precisei de gastar alguns anos da minha vida a dar uma volta maior - um curso de jornalismo, um estágio como jornalista a tentar convencer os chefes que eu poderia era dizer coisas espirituosas em vez de ir a conferências de imprensa, o dia em que, finalmente, lá lhes mostrei que esc…

Responsabilidade política

VITAL MOREIRA          17.10.2017
A primeira e prioritária obrigação do Estado constitucional na garantia dos direitos fundamentais é assegurar o direito à vida e à propriedade dos cidadãos contra agressões de terceiros ou de fenómenos naturais. Quando o Estado falha rotundamente essa obrigação em duas situações idênticas próximas no tempo, como a perda de muitas vidas humanas e de um incalculável património às mãos dos fogos florestais, algo correu muito mal e alguém tem de assumir responsabilidades. A responsabilidade do poder político e dos seus titulares não se resume à indemnização pública aos lesados pelos danos sofridos ("responsabilidade civil" do Estado), estendendo-se naturalmente à responsabilidade política - que em última instância se traduz na perda do cargo -, quer diretamente pelos atos próprios, quer pelas falhas dos serviços sob sua direção ou tutela, por culpa na escolha dos subordinados (culpa in eligendo) ou na sua direção ou superintendência (culpa in v…