sábado, 3 de dezembro de 2016

Marcelo leva a Costa carta de criança deficiente que pede mais apoio do Estado

PÚBLICO  3.12.16

Problema dos cuidados familiares é muito importante, enfatiza Presidente da República

O Presidente da República esteve este sábado numa instituição de apoio a crianças com paralisia cerebral, recebendo uma carta de uma das crianças em que esta pede maior apoio do Estado, missiva que garantiu vir a entregar ao primeiro-ministro.

“Vai ter seguimento, logo na próxima audiência com o primeiro-ministro, dia 8 ou dia 9, entregarei a carta da Francisca. É um problema muito importante de muita gente em Portugal, o problema dos cuidadores familiares, de quem no fundo larga as profissões (...) e estão 24 horas por dia dedicados a uma tarefa”, declarou Marcelo Rebelo de Sousa.
O chefe de Estado falava aos jornalistas no final de uma visita à associação Casa do Tejo - Direito ao Lazer, ligada à Associação de Paralisia Cerebral de Lisboa (APCL), onde conheceu algumas famílias com crianças deficientes.
Uma das famílias tinha trigémeos e Francisca, uma das filhas, entregou uma carta a Marcelo Rebelo de Sousa explicando a situação familiar, com o Presidente a lembrar posteriormente que em causa estão “crianças que exigem atenção permanente, constante e exaustiva” num problema que “não é de um ou dois portugueses, é de milhares, pais e crianças”.

"A ambição pode levar-te a um lugar escuro"

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Aborto como eugenia

HENRIQUE RAPOSO  2.12.16   RR ONLINE

Num Ocidente que muda o trajecto de uma estrada só para não ferir o habitat de um rato, num Ocidente obcecado com focas bebé, num Ocidente que endeusa as baleias do Árctico islandês, como é que se desvaloriza assim a vida de seres humanos?

Chamemos-lhe Joana. Tem uma filha com trissomia 21. Quando lhe dizem que demonstrou coragem ou grandeza, Joana abana a cabeça. Nunca lhe passou pela cabeça matar na própria barriga um bebé só porque ele era imperfeito na genética. Desde quando é que os seres imperfeitos não têm direito à vida? Desde quando é que aqueles que beliscam a estética não têm direito à existência? E como é que a genética pode ser o centro da nossa moral colectiva? Não é a Joana que é grande ou corajosa, a sociedade é que entrou numa caverna. Caverna, essa, que muda o nome às coisas. “Aborto” é “IVG”. “Eutanásia” é “direito à morte”. “Bebé” na barriga é “feto” ou “amontoado de células”, termos burocráticos que procuram anular a carga odiosa do aborto. E, claro, “eugenia” já não é “eugenia”. Convém sublinhar a palavra (“eugenia”), porque as nossas sociedades fazem eugenia em massa. 90% das inglesas que detectam um bebé com síndrome de Down fazem aborto. Na fofinha Islândia não há pessoas com trissomia. Há uma taxa de 100% de aborto nestes casos, e esta devastação é apresentada como um grande avanço médico. É como se estivéssemos a falar de uma campanha contra a tuberculose ou sida. É como se o bebé da Joana fosse em si mesmo uma doença erradicável. Isto não é “progresso”, é uma barbárie medicamente assistida.
Esta agenda eugenística é tão bárbara que chega a ser cómica. Ainda há dias a lei francesa proibiu a divulgação pública de um vídeo de uma associação de pais como Joana. O vídeo mostra a alegria de crianças com trissomia 21. O vídeo foi proibido. Alegou-se que podia ferir a susceptibilidade das mulheres que abortaram. Confesso que isto me dá vontade de rir. Dante Alighieri ensinou-nos que o grotesco tem sempre um lado cómico. Esta proibição é tão grotesca, tão absurda, que até parece piada. A piadinha porém é agora a realidade. É uma piada que não ataca apenas o direito à vida, ataca o próprio direito à liberdade de expressão de pessoas como a Joana. Mas repare-se que a proibição revela acima de tudo a má consciência dos defensores do aborto, dos defensores de campanhas médicas contra crianças deficientes, das próprias mulheres que abortam. Revela embaraço, culpa e remorsos. Serão estes remorsos que acabarão por destruir o edifício intelectual e moral deste cultura eugenística.
E essa destruição está para breve. Chegámos ao fim da linha. Este quadro grotesco é indefensável. Como é que chegámos ao ponto em que se consideram “estúpidas” as pessoas como Joana? Como é que chegámos ao ponto em que uma mensagem comovente de crianças com trissomia é vista como “ofensiva”? Num Ocidente que muda o trajecto de uma estrada só para não ferir o habitat de um rato, num Ocidente obcecado com focas bebé, num Ocidente que endeusa as baleias do Árctico islandês, como é que se desvaloriza assim a vida de seres humanos? Daqui a vinte e cinco anos, teremos sérias dificuldades para explicar aos nossos netos esta comédia grotesca.

Ajudar as pessoas a viver a beleza

MARIA JOSÉ VILAÇA       01.12.16       INTERVENÇÃO NO SÍNODO DIOCESANO DE LISBOA

O Dicionário de Oxford elegeu como palavra do ano para 2016 pós verdade que se define como "Relacionada com ou que indica circunstâncias nas quais os factos objectivos têm menos influência na formação da opinião pública do que os apelos à emoção e a crenças pessoais”. Esta é a mentalidade que domina no mundo ocidental. E a comprová-lo, os acontecimentos recentes a propósito de uma entrevista que dei à Familia Cristã. Mas os mesmos fizeram-me reflectir sobre a urgência desta pergunta: como pode a Igreja enfrentar os embates do laicismo, do islão, da perseguição religiosa, do esoterismo, do problema demográfico, da defesa da vida e da ideologia do género? 
Acredito que a resposta está na educação da pessoa e na centralidade da Pastoral da Família.

1 - Vivemos hoje em dia uma crise de relação com a realidade: perdemos a confiança na experiência que fazemos, ou seja, na possibilidade de conhecer e amar cada coisa tal como nos é dada e como é. Facilmente reduzimos as coisas à sua aparência e, não conhecendo verdadeiramente o que as coisas são e donde vêm, o que prevalece é a desconfiança, o temor e o negativismo - ao nível afectivo, profissional, político, etc. É fácil perceber que, no contexto familiar, isto tem consequências desastrosas: as relações conjugais são frágeis, o modo como os pais educam os filhos é inseguro, a família não tem energia missionária, etc. Vive-se como se Deus não existisse e viver sem Deus coloca-nos à mercê do poder político totalitário.

2 – Que serviço deve prestar a Igreja ao mundo? A fé em Jesus Cristo tem de adquirir uma dimensão cultural, de construção social e de constante juízo sobre a realidade. Para conseguir isso a Igreja tem de assumir a sua responsabilidade educativa. Um homem educado não receia os desafios da realidade e não se refugia em ideologias. Sem medo, procura a verdade, ousa amar e afirmar a sua fé. 

3 – Por definição, quem educa é a familia. 
a) No passado dia 20 o Papa Francisco recomendava aos sacerdotes participantes no Congresso organizado pela Congregação para o Clero para não esquecer o “centro de pastoral vocacional” que é a familia: “Igreja doméstica e primeiro e fundamental lugar de formação humana” onde pode germinar “o desejo de uma vida concebida como caminho vocacional”, elencando depois os outros contextos comunitários onde somos educados na relação com os outros “escola, paróquia, associações, grupos de amigos”. 
b) Sabemos como é importante no sucesso do matrimónio, a experiência de familia que temos. Já não é um dado adquirido que os jovens queiram constituir família. Por isso, é preciso promover o encontro dos jovens com famílias felizes.
c) O ensino da fé começa em casa. Não é uma catequese tipo escola que vai resolver a lacuna da familia. Como tornar a catequese uma experiência de familia?
d) A familia cuida dos seus. Dos bebes acolhidos com alegria, dos mais velhos que querem partir rodeados pela familia, dos doentes que querem ser tratados pela familia, dos desempregados que encontram na familia a esperança. Então deveríamos sustentar a familia nesta tarefa e não substitui-la.
e) Na familia vive-se o dom de si na entrega pelo bem comum, essencial para gerar o desejo de intervir na sociedade e na política. 

4 - O nosso objectivo é que a família seja realmente o rosto humano de Deus na terra. Por vezes receio que a Pastoral da Igreja se confunda com uma organização de prestação de serviços sociais, formatada e departamentada à semelhança das organizações públicas ou empresariais. Como escapar desta organização para oferecer o serviço como se oferece o amor numa familia? 
Hoje, para podermos olhar o futuro com confiança, é preciso reavivar a memória da presença de Cristo e proclamar a esperança. Esta é a missão da família. Como pode a Igreja ajudar as famílias, sem as substituir? 

A este propósito cito Stephan Kampowski, professor de Antropologia Filosófica, Instituto JPII. «Há uma forma errada de conduzir a pastoral na Igreja: tentar resolver os problemas. Em vez disso a pastoral deve conter uma proposta positiva: ajudar as pessoas a viver a beleza.»

Um facto

POVO 02.12.16


A Igreja não pode estar em crise porque é um facto. 

Cardeal Giacomo Biffi


Entre celebrações inexistentes no 25 de Novembro e tímidas no 1º de Dezembro, vemos votos emotivos pela morte de Fidel Castro e nenhuns pelas vítimas do seu regime, ao mesmo tempo que recebemos de forma pouco amigável um monarca vizinho.

Perante aquilo que parece ser uma cegueira ideológica e amnésia voluntária, podemos escandalizar-nos. Mas somente a memória de um facto poderá falar da verdade, na era da mentira.

Se nunca ouviu falar em pós-verdade, esta é, não só uma palavra, como é, segundo o Oxford English Dictionary, a palavra do ano naquela que é uma mudança de época.

Rezemos por isso pela Igreja e em particular pela Diocese de Lisboa, para que o seu trabalho sinodal destes dias, seja iluminado nas formas criativas do Espírito para fazer chegar este 'facto' a todos.

Ou morfina ou uma bala

INÊS DIAS DA SILVA    2.12.16


Quem queira perceber melhor a distinção entre morte e eutanásia, encontra no acabado de estrear filme de Mel Gibson, um episódio esclarecedor. 


Hacksaw Ridge ou ‘O Herói de Hacksaw Ridge', como traduziram em Portugal conta a história da tomada de Hacksaw Ridge aos Japoneses por um regimento do exército Americano na II Grande Guerra. Hacksaw Ridge, na costa do Japão, foi o cenário para uma carnificina, certamente banal para aquela guerra, mas para nós absolutamente impressionante (ficam os mais sensíveis, desde já avisados).

"Ou morfina ou uma bala"

O herói da história, é um soldado desarmado. O primeiro objetor de consciência a receber a medalha congressional de honra, a quem lhe deram, nos EUA, a liberdade de avançar "para o fogo do inferno da batalha, sem uma única arma para o proteger.” Como socorrista, permaneceu no promontório onde os japoneses executavam os americanos moribundos, para salvar os que restaram. A sua arma era a Bíblia e a memória do amor da sua mulher. O que tinha para oferecer eram cuidados básicos e morfina para as dores. Ali, entre a morfina e uma bala a pedido, não havia tempo para debates ou fogo cruzado de palavras. Ficar no promontório significava morrer na certa, descer a falésia era a única possibilidade, se bem que remota, de viver. Que alguém arriscando a própria vida, tivesse escolhido essa possibilidade por mais remota que fosse, foi como re-afirmar o valor real da pessoa. E isso mudou aqueles soldados e muito provavelmente mudou o curso daquela batalha.

A diferença está no olhar
É no final, perdoem-me o spoiler, que as formas distintas de morrer, se tornam claras. Entre os feridos de guerra, a morte chega aos vulneráveis de duas maneiras: ou morrem ou se matam. E por isso, na guerra como na vida, ajudar a morrer será sempre um homicídio ou suicídio.

O final do filme que opõe o ritual dos generais japoneses, ao trabalho deste socorrista desarmado é disso um exemplo excepcional. A diferença está no olhar daqueles que têm a morte à sua frente. Por um lado, o olhar de uma fria dignidade, na morte cirúrgica e planeada por seppukuPor outro, o olhar de comoção de se saber assistido por um amigo que nos perdoa e que abre à esperança de que a vida é, afinal, um bem para mim e para ti.  

O POVO recomenda: Hacksaw Ridge

Oração pelo Sínodo Diocesano


Maria, Mãe da Igreja
ajudai-nos a dizer o nosso «sim». Dai-nos a audácia de buscar novos caminhos para que chegue a todos
o dom da beleza que não se apaga.


Virgem da escuta e da contemplação, intercedei pela nossa Igreja de Lisboa, em caminho sinodal,
para que nunca se feche nem se detenha na sua paixão por instaurar o Reino.


Estrela da nova evangelização, ajudai-nos a resplandecer
com o testemunho da comunhão,
do serviço, da fé ardente e generosa,
da justiça e do amor aos pobres,
para que a alegria do Evangelho chegue até aos confins da terra
e nenhuma periferia fique privada da sua luz.


Mãe do Evangelho vivo, manancial de alegria para os pequeninos, rogai por nós.
Ámen. 

Sínodo Diocesano Dia #2

WWW.PATRIARCADODELISBOA.PT

Nesta quinta-feira, 1 de dezembro, o segundo dia do Sínodo Diocesano de Lisboa iniciou com a oração de Laudes e Eucaristia, presididas pelo Cardeal-Patriarca, D. Manuel Clemente. A homilia da celebração foi proferida por D. Joaquim Mendes, Bispo Auxiliar de Lisboa.

No auditório do Centro Diocesano de Espiritualidade, no Turcifal, este dia de trabalhos ficou marcado pelas intervenções livres, em que todos os participantes da Assembleia Sinodal que o desejassem puderam pronunciar-se livremente sobre o Documento de Trabalho e a caminhada sinodal. “Foram levantadas questões sobre qual o rumo que a diocese poderá seguir numa caminhada pós-sinodal. Foi um momento verdadeiramente rico, de comunhão, em que experimentámos também a alegria de estarmos todos juntos a partilhar”, salienta o secretário do Sínodo Diocesano, padre Rui Pedro Carvalho, revelando que “durante todo o dia foram feitas cerca de 60 intervenções, o que representa quase metade dos membros da Assembleia Sinodal”.

Este sacerdote frisa o momento de comunhão vivido por todos os membros da Assembleia Sinodal. “Nas intervenções denotou-se, em primeiro lugar, um entusiasmo geral e um grande agradecimento aos redatores do Documento de Trabalho – todos realçaram que é um documento que sintetiza bem as respostas que foram chegando dos vários grupos sinodais. Os membros que intervieram foram salientando um ou outro ponto que acharam mais importante, tendo-se falado bastante na questão do papel e iniciativa dos leigos e da sua presença fundamental no mundo do trabalho. Sublinhou-se também iniciativas que surgem da espontaneidade laical, tal como a Missão País ou os Campos de Férias Católicos que nascem muito ligados às famílias cristãs da nossa diocese e que querem dar uma transmissão da fé mais familiar aos seus filhos”, revela o padre Rui Pedro.

O acolhimento foi também uma preocupação manifestada por alguns membros sinodais. “A questão do acolhimento apareceu bastante nas intervenções, em especial no sentido de aproveitarmos as oportunidades que temos quando as pessoas nos procuram, quer em casamentos, quer nos batismos, quer nos funerais. Sublinho ainda esta questão do acompanhamento que nós, pastores, somos chamados a fazer dos leigos e das famílias. Acima de tudo, creio que fica uma frase síntese do dia de hoje, proferida por um dos membros: ‘Não é a Igreja de Cristo que tem uma missão, mas a missão de Cristo que tem uma Igreja’. É uma frase para nos deixarmos levar por ela, para percebermos os caminhos que surgem a partir daqui”, salienta o secretário do Sínodo Diocesano.

Em várias intervenções foi expresso o desejo de que a Assembleia Sinodal trace duas ou três ideias chave que possam depois ser concretizadas na ação pastoral da diocese. “Umas das tónicas que foi muito sublinhada neste dia de intervenções livres é que o Sínodo não fique apenas por uma Constituição Sinodal, mas que desta constituição possam sair duas ou três opções de evangelização e linhas de ação pastoral que possam  marcar a vida da Igreja nos próximos tempos”, revela o padre Rui Pedro Carvalho.

No final da tarde, após as intervenções livres, os 137 membros iniciaram os trabalhos de grupo para avaliarem cada um dos três capítulos do Documento de Trabalho. Esta é uma dinâmica que se vai manter durante todo o dia desta sexta-feira, 2 de dezembro, com os grupos a fazerem propostas de alteração ao Documento de Trabalho, que serão depois avaliadas pelo Secretariado do Sínodo Diocesano. “Os membros da Assembleia Sinodal estão divididos em 12 grupos – em que cada grupo tem o nome de um apóstolo [Pedro, André, Tiago Maior, João, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago Menor, Simão, Judas Tadeu e Matias] –, cada um constituído por cerca de 11 a 12 elementos. Com base naquilo que escutaram nas intervenções livres, o trabalho de grupo é um tempo para aprofundar algumas temáticas que vêm escritas no Documento de Trabalho em ordem àquilo que será o documento final. Será um tempo de trabalho, de discussão, de alterações e de propostas de caminho a seguir”, explica o secretário do Sínodo Diocesano.

A Assembleia Sinodal tem sido marcada também por vários momento de oração. “É preciso parar para rezar, estar em comunhão com Deus, perceber qual a Sua vontade, e portanto iniciamos sempre o dia com Laudes e Missa, à tarde temos oração de Vésperas e à noite há também uma proposta de oração. Esta quinta-feira temos Adoração ao Santíssimo Sacramento e no sábado haverá oração do Terço”, refere o padre Rui Pedro, realçando que as orações no Sínodo Diocesano são as mesmas que foram propostas às comunidades cristãs: “De alguma maneira, unimo-nos também com todas as paróquias e comunidades que ao longo destes dias rezam por nós. Aliás, vamos rezar as mesmas propostas de oração que as paróquias estão a rezar”.

PÓS-VERDADE

INFOPEDIA.PT

pós-verdade

1.circunstância ou contexto, geralmente de ordem cultural ou política, em que a opinião pública e o modo como esta se comporta, se fundamentam mais em apelos emocionais falaciosos e na afirmação de convicções pessoais avulsas do que em factos objetivos e observáveis
2.tempo em que se verifica a desvalorização da verdade objetiva, atestada pelos factos e coletivamente estabelecida, e se toma por certo qualquer enunciado contraditório, de origem arbitrária, subjetiva e falaz

A era da pós-verdade

JOSÉ MANUEL DIOGO     20.11.16     JN  

A palavra do ano 2016 é... "pós-verdade". E faz muito sentido! Depois de tantos anos a ouvir mentiras, as vantagens da verdade, foram ultrapassadas na nossa consciência, por uma simples aparência de credibilidade.

Se olharmos à nossa volta percebemos porquê. Filmes e séries de TV são regularmente sobre patranhas e vigarices, e até os meios de comunicação social cobrem de forma exaustiva a desonestidade a mentira. Os mentirosos são uma espécie de heróis dos tempos modernos. Donald Trump e os protagonistas do Brexit apenas vêm prova-lo.
Para ser franco, caro leitor, e deixe-me que lhe diga a verdade com a maior honestidade, estas linhas são sobre a mentira. Quero que note, por isso sublinho com tanta insistência, que vou, de facto dizer-lhe apenas a verdade. Já reparou como isto acontece tantas vezes? Até parece que normalmente dizemos mentiras. Será que é assim? E você, diz sempre a verdade? Talvez não.
Diz a ciência que somos todos mentirosos. E o pior é que a mentira, que antes tinha perna curta, consta que agora, até compensa. A investigadora norte americana Bella DePaulo, que durante mais de duas décadas estudou a desonestidade, chegou à conclusão que as pessoas mentem todos os dias. Pelo menos uma vez por dia. Num dos estudos que realizou verificou que, mesmo quando alguém tentava passar uma semana inteira sem mentir, isso revelava-se muito difícil. É uma coisa inata que faz parte dia a dia.
Concluiu que as pessoas mentem mais quando querem causar uma boa impressão, que as pessoas mais bonitas fogem mais depressa à verdade que as feias e que também é mais comum que lhes mintam. Descobriu que é mais provável mentir àqueles de quem gostamos do que a completos desconhecidos e que, a maior parte das vezes, mentimos sem nenhuma razão para isso.
Diariamente dizemos mentiras de vários graus e qualidades sem dores de consciência. Desde "adoro sushi" a "amo-te" é tudo normal. Mentir é uma coisa rotineira que faz parte da essência da vida e apresenta-se como uma das necessidades sociais e profissionais mais comuns. Enganar os outros, nos tempos que correm, parece ser encarado como um simples passatempo. No entanto, cinicamente ao mesmo tempo que desculpamos as nossas pequenas mentiras, mostramo-nos consternados a por haver tanta desonestidade no mundo.
Talvez por isso a expressão "pós-verdade" foi eleita a palavra do ano de 2016. Para os editores dos dicionários Oxford, que desde 2004 escolhem a palavra que melhor reflete, sinteticamente, determinadas tendências ou acontecimentos que marcam o ano, "pós-verdade" é um adjetivo que se utiliza quando se pretende classificar ou sublinhar que, em determinadas circunstâncias, os factos objetivos - a verdade - têm menos influência na formação de opinião pública do que os apelos emocionais e as opiniões pessoais - que podem ser mentiras.
Os editores pensam que o sucesso da palavra - a sua utilização aumentou 2000% desde o ano passado - está diretamente relacionada com o Brexit e eleição de Trump. Mas estes dois acontecimentos, onde a linha que separa verdades e mentiras não foi bem desenhada, não são uma coisa nova. Há décadas que as mentiras fazem parte do discurso político oficial. O que havia era menos gente a dar por isso.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

O colapso da decência

NUNO MELO   01.12.16   JN

A aprovação do voto de pesar pela morte de Fidel Castro na Assembleia da República, como alguém que "consagrou a vida aos ideais do progresso social e da paz", significou o derradeiro triunfo do ditador, sobre os valores de referência do regime democrático.
A extrema-esquerda que contesta a legitimidade da eleição de Donald Trump nos EUA teve sucesso na homenagem a um déspota cubano que, como é sabido, nunca contou um voto nas urnas, ao mesmo tempo que, na caricatura do absurdo, se manifestou sentada no hemiciclo, sem respeito nem educação, contra a visita amiga do rei legítimo de Espanha, acusado de nunca ter sido submetido a sufrágio.
Agiu a propósito, com a mesma facilidade com que grita "liberdade" de cravo ao peito em cada dia 25 de Abril, mas concretizou o 11 de Março e lutou para que o 25 de Novembro nunca visse a luz do dia.
Conseguiu para o tirano do Caribe o que negou por ocasião da morte de José Hermano Saraiva, perigoso doutrinador do Estado Novo nos "Horizontes da memória" da RTP, António Champallimaud, pecaminoso porque criou riqueza e empregos em Portugal, Jaime Neves, que do lado de Ramalho Eanes teve o topete de ajudar a consolidar a democracia nacional, ou Shimon Peres que, azar nítido, foi prémio Nobel da Paz a par de Yasser Arafat, mas era judeu.
Tratou-se também da mesmíssima extrema-esquerda que rejeitou o voto de congratulação pela libertação de Ingrid Bettencourt, sequestrada pelas FARC na Colômbia, sob argumento de que os terroristas é que estavam do "lado certo" da história.
Infelizmente, no centro-direita, não faltou quem tenha ido na conversa. Esqueceram-se, talvez, de que os "ideais do progresso social e da paz" descobertos no finado Fidel Castro podem ser medidos pelo número de opositores mortos ou desaparecidos, de partidos políticos que nunca puderam nascer, de cubanos impedidos de circular, de se expressarem livremente ou de se manifestarem, dos "balseros" afogados em condições miseráveis na esperança de se livrarem do jugo e da absoluta proibição da liberdade de Imprensa.
Em cada fotografia tirada ao lado de Fidel Castro, por líderes ocidentais fascinados pela ideia da moldura a ornamentar os armários lá de casa, o ditador foi ganhando anos de vida política, contados pela longevidade de um regime que Che Guevara ilustrou como poucos na ONU, em 11 de dezembro de 1964: Fuzilamentos? Sim. Fuzilamos e continuaremos fuzilando.
A Assembleia da República não se limitou a homenagear um tirano. Silenciou a justiça devida a cada uma das vítimas.


1º de Dezembro : Restauração da Independência

"O 1.º de Dezembro não é da República, nem da Monarquia, não é da direita, nem da esquerda. É o dia de Portugal inteiro, o mais nacional de todos os feriados nacionais. É o dia que celebra aquele valor sem o qual não existiríamos sequer: a independência nacional. Fá-lo na circunstância da Restauração, porque foi o momento em que, da última vez que a perdemos, a reconquistámos."

Frase do dia

A Igreja não pode estar em crise,
porque é um facto.
Cardeal Giacomo Biffi

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

“Cristo está esperándote”

ALETEIA    30.11.16


“Cristo está esperándote”, a ultima mensagem do piloto do avião acidentado. 


O piloto paraguaio Gustavo Encina fazia parte da delegação que viajava no vôo que transportava a equipa de futebol brasileiro Chapecoense até Medellín (Colômbia) e que acabou na tragédia que comoveu o mundo inteiro.

Gustavo foi um dos falecidos no acidente, e a mensagem que postou na redes sociais antes do acidente gerou a maior consternação e um convite à reflexão.




“Para onde olhas na vida. Para trás ou para a frente? Que o Senhor te dê a graça de largar as coisas, mesmo aqueles que consideras preciosos nesta vida, e permita-te olhar para a frente, onde Cristo está à tua espera para um encontro glorioso que te abrirá as portas da eternidade ", escreveu ele.

30 Novembro: S.André, apóstolo



(El Greco)  Santo André

O primeiro a ser chamado, o primeiro a dar testemunho

«Como é bom, como é agradável, viverem os irmãos em unidade» (Sl 132, 1). [...] Depois de ter estado com Jesus (Jo 1, 39), e de ter aprendido muitas coisas, André não guardou esse tesouro para si: apressou-se a ir ter com seu irmão, Simão Pedro, para partilhar com ele os bens que recebera. [...] Repara no que ele diz ao irmão: «Encontrámos o Messias (que quer dizer Cristo)» (Jo 1, 41). Estás a ver o fruto daquilo que ele tinha aprendido há tão pouco tempo? Isto é uma prova, a um tempo, da autoridade do Mestre que ensinou os Seus discípulos e, desde o princípio, do zelo com que estes queriam conhecê-Lo.

A pressa de André, o zelo com que difunde imediatamente uma tão grande boa nova, dá a conhecer uma alma que ardia por ver cumpridas todas as profecias respeitantes a Cristo. Partilhar assim as riquezas espirituais é prova de uma amizade verdadeiramente fraterna, de um afecto profundo e de uma natureza cheia de sinceridade. [...] «Encontrámos o Messias», diz ele; não está a referir-se a um messias qualquer, mas ao verdadeiro Messias, Àquele que esperavam. 

Comentário de São João Crisóstomo (c. 345-407), bispo de Antioquia, depois de Constantinopla, doutor da Igreja
Homilias sobre o evangelho de João 19, 1  


                                              A cruz em X ou a crux decussata
Santo André foi um dos apóstolos mais fervorosos e próximos de Cristo. Ao sofrer o seu martírio, assim como Cristo, através da crucificação, Santo André pediu para ser crucificado numa crux decussata, ou seja, uma cruz em forma de X, e não numa cruz latina como foi Jesus Cristo, pois dizia não ser digno de sofrer o seu martírio numa cruz do mesmo tipo da cruz de Jesus.
A cruz de Santo André faz parte da vasta iconografia cristã e é uma das diferentes estruturas da cruz.
Além do uso em brasões de armas, a partir do século XIV, a cruz de Santo André passou a ser frequentemente usada em bandeiras.

Minto, sim

A honestidade, não sei porquê, é apreciada. As pessoas detestam ouvir mentiras. Mesmo quando elas são agradáveis, preferem saber a verdade. Por muito horrível e assustadora que a verdade seja, ela é também um bálsamo que sossega a desconfiança. Por exemplo, a desconfiança de a verdade ser mais terrível ainda. Ou, simplesmente, a desconfiança de que a outra pessoa está a mentir.

Há só uma área em que é impossível reduzir o número de mentiras. Como todas as pessoas destituídas de sentido de orientação, provoco em quem se orgulha de tê-lo longas explicações acerca de trajectos. São sequências. Começam pelo trajecto para bons navegadores que conhecem bem o terreno. Quando este falha, passam para um trajecto mais longo e mais para a compreensão das criancinhas. Finalmente, entram numa explicação passo-a-passo, em que usam marcadores que consideram infalíveis: “Está a ver aquela igreja com uma cruz de 50 metros de altura?”

A nossa ignorância provoca-os. Torna-se um teste divertido do jeito deles para ensinar percursos a burros. Não desistem. E, por isso, obrigam-me a mentir. Não, não sei onde são os Cabos Ávila. Mas digo que sei. Idem para o chinês e para a Repsol. É tudo mentira. É tudo para que se calem, satisfeitíssimos.

Documento de Trabalho do Sínodo Diocesano

  Sínodo Diocesano by papinto on Scribd

Presidente da República saúda Sínodo Diocesano de Lisboa


PRESIDENTE DA REPÚBLICA  30.11.16     presidenciadarepublica.pt 

Deu-se início hoje ao Sínodo Diocesano de Lisboa que acontece no contexto dos 300 anos da qualificação patriarcal da diocese e após 376 anos (1640) da realização do anterior. O Presidente da República saúda esta iniciativa, no quadro da liberdade religiosa consagrado na Constituição da República.

Reis de Espanha no parlamento

NOTÍCIAS AO MINUTO   30.11.16

Os reis de Espanha estiveram hoje pouco mais de uma hora na Assembleia da República, onde Filipe VI discursou, tornando-se no nono chefe de Estado estrangeiro a usar da palavra numa sessão solene no parlamento português.


O presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, foi o primeiro a falar, passando depois a palavra a Filipe VI.

A crise económica que afetou gravemente os cidadãos portugueses e espanhóis foi um dos temas abordados por Filipe VI no seu discurso de 19 minutos, onde defendeu que, retomada a "senda do crescimento", Portugal e Espanha devem trabalhar para "consolidar a recuperação".
A intervenção do rei de Espanha na sala de sessões do parlamento português, onde há 16 anos também o seu pai discursou, foi aplaudida de pé pelo primeiro-ministro e restantes membros do Governo presentes e pelos grupos parlamentares do PSD, PS e CDS-PP.
Os deputados da bancada do PCP levantaram-se, mas não aplaudiram a intervenção de Filipe VI. O grupo parlamentar do Bloco de Esquerda também não aplaudiu, nem se levantou depois do discurso do rei de Espanha.
Os deputados do BE também não participaram na parte protocolar da cerimónia, falhando a sessão de cumprimentos aos monarcas espanhóis.
Apesar de valorizarem a importância das relações entre o Estado português e o Estado Espanhol, os bloquistas decidiram manter "a posição de sempre, republicana" e de não valorização das "relações de poder com base em relações de sangue e não em atos democráticos".
Entre os convidados sentados nas galerias, que não enchiam os lugares disponíveis, estavam o ex-Presidente da República Ramalho Eanes, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, e o ensaísta Eduardo Lourenço.
Nas bancadas parlamentares também se encontravam alguns lugares vazios entre as 230 cadeiras destinadas aos deputados.
Depois do presidente da Assembleia da República declarar encerrada a sessão, às 11:45, ouviram-se os hinos de Portugal e Espanha.
Filipe VI e Ferro Rodrigues saíram depois da Sala de Sessões e, já na companhia das mulheres, dirigiram-se ao Salão Nobre do Palácio de São Bento onde receberam os cumprimentos dos deputados.
Depois de Filipe VI assinar o livro de honra da Assembleia da República, na sala de visitas da Presidência, os reis de Espanha dirigiram-se para o átrio principal onde se despediram do presidente do parlamento português e da sua mulher.
Às 12:04 o carro que levou os reis para a residência do embaixador de Espanha em Lisboa, no Palácio de Palhavã, na Praça de Espanha, onde irá decorrer uma receção com a comunidade espanhola residente em Portugal, partiu da Assembleia da República.
A visita de Estado de três dias dos reis de Espanha a Portugal termina esta tarde com a deslocação de Filipe VI e Letizia à Fundação Champalimaud, na qual estarão acompanhados pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.